sábado, 16 de agosto de 2008

sequência

"A Seqüência constrói uma unidade mais inédita, mais especificamente fílmica ainda, a de uma ação complexa (embora única) desenvolvendo-se através de muitos lugares e > os momentos inúteis".


Então minha querida Amélie,
não tem ossos de vidro.
Pode suportar os baques da vida.
Se deixar passar essa chance, então,
com o tempo seu coração ficará tão
seco e quebradiço quanto meu esqueleto.
Então, vá em frente, pelo amor de Deus

dentista




Tiro minha sombrinha azul clara e florescente da bolsa e sigo em direção contrária aos carros com vidros fechados. Vou até o ponto de ônibus mais próximo e espero exatamente uma hora para o ônibus não passar. Gentilmente e com a boca dormente, convido uma mulher de aproximadamente 40 anos coberta com uma blusa rosa e com calça jeans azul escura, a dividir um táxi comigo.

drumond

Na frase “há que amar e calar”, o amor referido é impossibilitado de se trocar, porém não é impossibilitado de viver, e que para isso aconteça, ele deve ser vivido de um lado só. Sem culpa, desprezo, dualidade ou carícias. Ele sobrevive por ele mesmo. Por isso é atemporal. Se na sua gênese foi identificado como impossível, ou sobrevive à sua não aceitação, ele é eterno. Se basta.

O que suas palavras me levam a entender, é que todo amor deve ser retribuído de alguma forma. Seja na poesia, no retorno através de carícias ou desejos, e isso é no mais simples dos significados, parece ser cafona. O “amor maduro” supera a troca. Ele não é egoísta por ser solitário.

Se para você o amor “envolve procura, carência ou doação, elevação, movimento em direção ao belo ou ao bom, a um outro (ou porventura a um si-mesmo), é essencial a seu conceito, dela dependendo portanto seu possível realizar-se, alguma dilação, alguma temporalidade” esse seu amor é o mais egoísta de todos porque requer retribuição.

nego, nego




B.O - Trilha e Créditos.
A câmera passeia por entre palhas e pernas. Atabaques começam a ser batidos. Rostos transformados, e o grupo está na rua. O capitão do mato corre atrás de um escravo, e de outro. Mais um capitão do mato. Mais outro. Escravos por todos os cantos. Eles desafiam o capitão do mato. Gritos, sorrisos, e raiva. A câmera foca em um escravo, que é ousado, desafiador. Ele provoca o capitão e corre para trás. Corre pouco, porque atrás dele tem um capitão do mato escondido. A arma é apontada para ele e ele se debate no chão. Gritaria geral. Ele é capturado, e amarrado. O capitão leva o escravo amarrado até a mulher branca que está no centro.